CantaVento lança ‘Quintais de Dentro’, álbum para cantar, dançar, brincar

Grupo celebra 25 anos com seu primeiro disco integralmente autoral e reafirma a infância como território de poesia, escuta e imaginação


Com 25 anos de trajetória dedicados à música para crianças de todas as idades, o CantaVento apresenta seu novo álbum, Quintais de Dentro. Este, que é o primeiro trabalho composto integralmente por canções autorais do grupo, é mais do que um lançamento fonográfico: o disco é um convite à escuta atenta, à presença e à reinvenção do tempo em meio à vida contemporânea.


Com suas canções nascidas majoritariamente durante o período da pandemia do Covid-19, Quintais de Dentro carrega em suas letras as inquietações, descobertas e desejos que atravessaram o grupo naquele momento: como oferecer alento? Como transformar incertezas em música? Como criar espaços de imaginação quando o mundo parece encolher?

“Os temas das canções e o nosso discurso surgiram muito do que sentíamos e do que queríamos comunicar e até mesmo entender durante esse período, então essas composições saíram em uma troca constante entre todos nós do grupo”, explica Gabriel Peregrino, multi-instrumentista do grupo. 

As respostas surgiram em processo coletivo. No CantaVento, compor é sempre um gesto compartilhado: alguém traz um verso, uma melodia, uma ideia e o grupo constrói junto. Letras, harmonias e arranjos amadurecem como frutos “que caem do pé”, frescos e cheios de sentido. O resultado é um mosaico poético que orbita temas valiosos ao grupo: o brincar, os sonhos, a cidade, a natureza, o tempo, a escuta e a delicadeza das relações.

Infância levada a sério
Ao longo de sua trajetória, que inclui álbuns como Esticador de Horizontes (ANO) e Brincantorias (ANO), o CantaVento construiu uma identidade própria na música brasileira para a infância. Sem simplificações ou concessões, o grupo parte do princípio de que crianças são sensíveis, inteligentes e merecem obras ricas.

Suas referências atravessam a educação, a filosofia e a cultura popular brasileira. Pensadores como Paulo Freire, Lev Vygotsky e Émile Jaques-Dalcroze dialogam com poetas como Manoel de Barros e lideranças como Ailton Krenak, além de educadoras e mestres das culturas populares brasileiras.

Mas o grupo evita falar em “base teórica” fechada: prefere pensar sua obra como prática viva, construída na experiência, no palco e na escuta das crianças.

O palco como território de troca
Nos shows, as reações são parte da obra. Crianças dançam, inventam, interrompem, sonham em voz alta. Adultos se emocionam muitas vezes de surpresa. O grupo conta histórias de pequenos espectadores que transformam o rumo da apresentação com uma pergunta ou um gesto, fazendo com que o espetáculo se recrie ali, ao vivo.

“Temos muitas histórias lindas. As crianças se interessam de verdade, se divertem, se emocionam. Lembro de um show em que uma menina de uns seis anos começou a dançar espontaneamente. Quando eu percebi, passei a imitá-la, como se estivesse seguindo a proposta dela. A alegria que ela sentiu foi indescritível, ela dançava cada vez mais, orgulhosa de si. As crianças são muito receptivas e atentas. É emocionante ver o quanto elas querem brincar com a música, ouvir, descobrir novas obras. Elas se entregam à experiência com uma presença muito verdadeira”, conta Carol Ladeira, integrante do grupo.

Em tempos de muitas telas e estímulos rápidos, o CantaVento escolhe não disputar atenção pela aceleração. Ao contrário: aposta na confiança. Não subestima os ouvidos das crianças, não encurta o tempo das canções, não multiplica estímulos visuais para “prender” o olhar. Acredita na potência da presença, na força dos instrumentos ao vivo, na imaginação ativada pela palavra e pelo silêncio.

Quintais de Dentro é música para dançar no quintal, correr, subir em árvore, cantar no carro, ouvir na sala de aula, compartilhar em família. Mas também é trilha para aquietar, observar o céu e pensar na vida, porque criança também pensa na vida.

Com arranjos que atravessam referências da cultura popular brasileira — do maracatu ao samba, do reggae às cantigas reinventadas — o álbum reafirma o lirismo poético como eixo central do trabalho. Cada canção propõe uma pequena travessia sensível, aberta às interpretações de quem escuta.

25 anos de história
Carol é uma das fundadoras e está desde o início da trajetória do grupo (com breve intervalo). Marcelo integra o CantaVento há muitos anos, enquanto Nina, Esther e Gabriel chegaram em 2018, durante o ciclo do álbum Brincantorias. Eddy é o integrante mais recente, somando forças especialmente no novo show Quintais de Dentro.

Ao celebrar 25 anos de caminhada, o CantaVento reafirma seu compromisso com uma arte que não separa infância e maturidade, que acredita na música como espaço de encontro e que transforma quintais — externos e internos — em territórios de imaginação.

Foto: Juliana Hilal/Divulgação

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