Crianças que respiram pela boca podem ter prejuízos no sono, crescimento e aprendizado

Dormir de boca aberta, roncar durante a noite, acordar cansado ou apresentar dificuldade de concentração na escola. Embora muitos pais enxerguem esses sinais como algo comum da infância, especialistas alertam que a respiração pela boca de forma frequente pode indicar problemas respiratórios importantes e trazer impactos no desenvolvimento infantil.

A chamada respiração bucal acontece quando a criança passa a respirar predominantemente pela boca, geralmente por conta de alguma obstrução nasal. Entre as principais causas estão rinite alérgica, aumento das adenoides e amígdalas, sinusites recorrentes e alterações anatômicas das vias aéreas.

Segundo o otorrinolaringologista Rael Lucas Matimoto, da clínica Otorrino Rio Preto, o problema vai muito além do desconforto respiratório. A condição pode afetar o sono, o comportamento, o crescimento e até o aprendizado da criança. “Respirar pela boca pode afetar até o aprendizado infantil”, destacam os especialistas.

Isso porque crianças que respiram mal costumam ter noites de sono fragmentadas e menos reparadoras. O resultado aparece durante o dia: irritação, cansaço, sonolência, hiperatividade, dificuldade de atenção e queda no rendimento escolar.

Além disso, o organismo deixa de receber adequadamente os benefícios da respiração nasal. O nariz funciona como um filtro natural, responsável por aquecer, umidificar e limpar o ar antes que ele chegue aos pulmões. Quando a respiração acontece pela boca, essa proteção é perdida.

Os sinais muitas vezes passam despercebidos no dia a dia, segundo o otorrinolaringologista Adriano Reis, também da clínica Otorrino Rio Preto. “Entre os principais sintomas estão boca aberta durante o sono, ronco frequente, sono agitado, nariz entupido, olheiras, respiração ruidosa e dificuldade para mastigar ou falar”.

Nos casos mais prolongados, a respiração bucal também pode provocar alterações no crescimento facial da criança. Especialistas explicam que é comum observar mudanças na arcada dentária, mordida cruzada, céu da boca mais alto e rosto mais alongado.

Reis afirma que crianças respiradoras bucais apresentam maior frequência de sonolência diurna, agitação noturna e dificuldades escolares. “A respiração oral pode trazer também consequências fisiológicas, comportamentais e no desenvolvimento infantil.”

Outro alerta é sobre o uso indiscriminado de descongestionantes nasais, prática comum tanto em adultos quanto em crianças. De acordo com informações da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, o uso frequente desses medicamentos pode mascarar sintomas importantes e dificultar diagnósticos corretos de problemas respiratórios.

Matimoto afirma que o uso contínuo pode alterar a mucosa nasal e atrasar o tratamento adequado. Em casos mais graves, os descongestionantes também podem causar efeitos colaterais importantes, como aumento da pressão arterial, problemas cardíacos, insônia, ansiedade e outros impactos no sistema nervoso.

Para reduzir os sintomas respiratórios e prevenir agravamentos, os médicos recomendam alguns cuidados simples dentro de casa. Retirar carpetes, cortinas e bichos de pelúcia do quarto ajuda a diminuir a presença de ácaros, principais desencadeadores de alergias respiratórias. Manter o ambiente limpo e arejado também contribui para melhorar a qualidade da respiração.

O tratamento varia conforme a causa do problema. Em muitos casos, o controle das alergias e o uso de medicamentos já trazem melhora significativa. Algumas crianças também podem precisar de acompanhamento com dentistas e fonoaudiólogos. Quando há aumento importante das adenoides e amígdalas, a cirurgia pode ser indicada.

O principal alerta é para que os pais observem o comportamento respiratório das crianças, especialmente durante o sono. “Ronco infantil não é normal. Criança que dorme mal pode apresentar prejuízos no crescimento, no humor e no desempenho escolar”, reforça Rael Lucas Matimoto.

Foto: Divulgação

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