FIT 2026 promove encontro de gerações do teatro rio-pretense

O Festival Internacional de Teatro (FIT) Rio Preto 2026 selecionou dez grupos da cidade para sua grade oficial, escolhidos pela curadoria oficial do evento. A programação coloca lado a lado companhias com quase 40 anos de estrada e coletivos fundados há menos de três anos — um recorte que expõe a amplitude e a continuidade da cena teatral local.

O Balé de Rio Preto, fundado em 1987 e dirigido por Creuza Arruda, chega ao festival com INEXINSTANTE, espetáculo que investiga gesto e palavra. A companhia, premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), completa 38 anos de atividade ininterrupta. Na mesma faixa de longevidade, a Companhia Azul Celeste, criada em 1989 por Jorge Vermelho e Cássio Ibrahim e com mais de 900 mil espectadores acumulados, apresenta Tô fraco, tô fraco! (foto em destaque), trabalho ancorado na pesquisa da obra de Gianni Rodari.

“A Companhia Azul Celeste tem uma relação vigorosa e afetiva com o Festival de Teatro de São José do Rio Preto, desde sua fase nacional”, conta Jorge Vermelho. Fundador da companhia, ele está ligado ao festival há 37 anos: 21 deles como artista na programação e outros 16 como Coordenador Executivo.

“A Azul Celeste tem um trabalho artístico reconhecido em nível nacional e colabora para que a cidade seja bem representada no FIT. Por outro lado, o festival colabora com a divulgação da Companhia e se consolida na trajetória dos coletivos rio-pretenses.”

Na outra ponta da linha do tempo, a Cia Alpendre foi fundada em 2023 por Ícaro Negroni e Clara Tremura com foco em cultura popular e teatro de rua. O grupo leva ao festival O Sonho de Ícaro, espetáculo circense voltado à ocupação de espaços públicos. A Cia Jovem Rio Preto, fundada em 2021, por sua vez, apresenta Rastro, projeto de dança que já circulou por festivais na Argentina e na Escócia.

Thais Benites, fundadora da Cia Jovem Rio Preto, explica que participar do FIT representa um marco de reconhecimento e consolidação artística para a companhia. “O festival nos insere em um circuito de excelência ao lado de grupos consagrados do Brasil e do exterior, amplia nossa visibilidade junto ao público, à crítica, curadores e produtores, e abre caminhos para futuras circulações e parcerias. É uma oportunidade de intercâmbio e amadurecimento criativo. Além de expandir nossas perspectivas no cenário das artes cênicas.”

Completam a seleção local a Ciacômica Teatro de Bonecos (2005) com o espetáculo Ciranda de bonecos; a Companhia Hecatombe (2005) com Kamikaze; a Cênica (2007) com Boi Material; o Grupo MONO (2010) em conjunto com o Agrupamento de Artistas apresenta O Segredo do Rei e Entre Causos e Lendas; o Núcleo Arcênico de Criações (2012) com Speedball e a Cia. Invisível Colorido (2019) com Invisível Colorido: Teatro Lambe Lambe.

Para o secretário de Cultura, Erick Soares, a diversidade de gerações na programação reflete algo maior do que uma curadoria. “Essa presença mostra a força da nossa cena cultural, que reúne companhias com décadas de história e novos coletivos que já chegam com qualidade e criatividade. É também o reflexo de uma política cultural que acredita no fomento, na formação e na valorização dos artistas locais. O FIT é uma vitrine importante para o mundo, mas também um espaço para reconhecermos e celebrarmos os talentos da nossa própria cidade.”

O FIT 2026 retoma a parceria entre a Prefeitura de São José do Rio Preto e o Sesc São Paulo. A programação é gratuita e se estende por dez dias. A grade completa, com atrações nacionais e internacionais, ainda será divulgada.

Foto: Edgar Machado/Divulgação

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