Aqui jaz alguém que meteu o louco

TRABALHO COM PROPÓSITO

Aqui jaz alguém que meteu o louco

Dia desses conversando com a Gabriela (Andrade) sobre como seria o nosso epitáfio, disse que no meu gostaria que estivesse a seguinte inscrição: “Aqui jaz alguém que meteu o louco!” Depois disso rimos um monte e ela concordou dizendo que era coerente com o fato de eu ser assumidamente “cabeça-dura”.

Confesso, nunca tive muita paciência para planejar as coisas. Sou do tipo que vai fazendo para só depois ver o que vai virar, pois para mim o importante é começar e terminar uma atividade o mais breve possível, mesmo que seja uma versão trial, e no final das contas tenha que refazer algo depois.

Mas reconheço que o retrabalho é sem sombra de dúvida um dos maiores vilões da produtividade. Já parou para pensar o quanto de tempo que perdemos fazendo algo que já fizemos antes? Ou melhor, já pensou o quanto de tempo a humanidade desperdiça produzindo 
as mesmas coisas que vão estragar dai 3 ou 4 anos, para depois você ter que comprar tudo de novo?

Um exemplo: Dia desses queimou a TV da minha mãe comprada a 3 anos por cerca de 2 mil reais. Tomando como base o salário mínimo (R$ 880) e a “vida útil” do produto, um trabalhador precisaria despender quase um mês de trabalho por ano para ter o direito de ter uma TV. É a famigerada obsolescência programada…

Mas não é só o usuário que perde tempo, o produtor também! Imagina se uma TV durasse a vida toda? O fabricante poderia investir em novos produtos, em tecnologias mais avançadas, um teletransporte talvez, ou qualquer outra tecnologia que ainda “não existe”. Pode parecer um pensamento simplista e um tanto quanto ingênuo, mas desde pequeno abomino a ideia de “ter que” trabalhar ou vender o meu precioso tempo por um salário de bosta que mal dá pra sobreviver, enquanto tem gente por aí cagando dinheiro a partir do trabalho de uma série de supostos funcionários produtivos. Acho que a humanidade precisa evoluir a um nível além do material e do senso comum da sobrevivência, precisamos parar de engolir goela a baixo obscenidades como, por exemplo, o juros do cartão de crédito. Precisamos deixar de sermos escravos da dívida, do dinheiro (poder), da infelicidade, do ego (principalmente), e por fim da escassez… 

Então, ideias como as da economia de compartilhamento, do colaborativismo, entre outros possíveis sucessores do capitalismo me soam cada vez mais factíveis. É necessário repensar cada ação e cada objeto. Para que reinventar a roda? Para que tanto feature e tantas versões de uma mesma porcaria? Para que desperdiçar nosso precioso tempo – que deveria ser melhor aproveitado – com coisas que servem apenas para nos ocuparmos de uma suposta função social. Vou repetir um chavão que dizem ser do Confúcio, mas que tem lá as suas verdades: trabalhe com aquilo que ame e nunca mais precisará trabalhar na vida.

Nesse sentido, o meu retrabalho torna-se, na verdade, algo muito produtivo. Eu inicio e termino uma atividade prazerosa, aprendo com esse processo, refaço o que precisa ser refeito, e tudo isso  se  desenvolve  como  uma  grande  experiência  de  autoconhecimento:  a  cada  trabalho conheço mais de mim e do trabalho. É diferente de produzir algo que não é seu, e de uma forma que não é propriamente sua. 

O trabalho deveria ser algo divertido e prazeroso, algo que a gente faz por que gosta e não por que  precisa  sobreviver.  Aliás  esse  é  o  grande  problema  da  existência  enquanto  de  99%  da população mundial, vive apenas para sobreviver e acredita nesse sistema de sobrevivência. Os outros 1%, é responsável por garantir que se continue acreditando na sobrevivência como fim.Se eu fosse uma espécie de Midas, gostaria de ter o toque do “trabalho com propósito”, e aí toda vez que visse alguém realizando um trabalho, qualquer que seja, de atendente a executivo, sem um propósito de vida, bastaria um toque. PLIN! Vai meu filho, mete o louco e vai fazer o que você gostaria de estar fazendo agora…

WagnerWagner Orniz – empreendedor social, consultor e sócio-proprietário do Estúdio 2741

16/11/2016

16/11/2016 14:42

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