Artigo de Carolina Capelli traz abordagens da Antropologia Visual para o audiovisual.

A antropóloga e diretora dos documentários dElas (2021) e Oi Lá Inezita: por trás das câmeras (2021), Carolina Capelli lança hoje seu artigo intitulado “Antropologia Visual: Relação do olhar e da pesquisa” a partir do edital Nelson Seixas 2021. O prêmio municipal que acontece todos os anos, nesta edição, será destinado a propostas de pesquisas desenvolvidas pela classe artística de São José do Rio Preto por meio da Secretaria Municipal de Cultura de São José do Rio Preto.

O artigo é resultado da própria trajetória da diretora que teve sua formação na área de Antropologia Social pela Universidade Federal de São Carlos e que depois de mais de cinco anos longe das pesquisas, desenvolveu dois documentários ao lado de seu parceiro Guilherme Di Curzio, também sócio da Abaeté Produtora Audiovisual, produtora independente aqui de São José do Rio Preto. O texto tem como proposta abrir um debate acerca das contribuições da Antropologia Visual para o desenvolvimento de documentários brasileiros e principalmente no que tange a abordagem em pesquisas, montagem dos filmes e sua relevância política.

A antropóloga e diretora de documentários, Carolina Capelli

Esta pesquisa é destinada a pessoas interessadas no assunto e que ainda não tem um contato com as discussões da Antropologia Social. Por isso, o artigo levanta metodologias, categorias e debates que a Antropologia Social e como suas pesquisas construídas ao longo dos anos foram trazendo alguns pontos interessantes ao debate sobre o fazer documental, como: a etnografia, a alteridade, conceitos e abordagens do que é cultura, autoridade etnográfica, papel da arte e perspectivas de abordagem na construção de documentários.

“O fato é que tanto a Antropologia quanto o Audiovisual e em especial o documentário vão ser nutridos sempre a partir da troca simbólica cotidiana. É do dia a dia das pessoas, de suas vidas, percepções, sentimentos, vivências, dores e delícias que irão surgir o encantamento e a organização simbólica do mundo. Ou seja, andamos em círculos, entendendo que há vidas em jogo, há o cotidiano, há as pessoas, existe a realidade neste sentido. Porém, todas as vezes que quisermos aprendê-la, sistematizá-la, conta-la e fixá-la estamos estreitando as possibilidades mil que poderiam também serem verdades. Heranças do debate perspectivista, entendemos hoje que o relativismo não dá mais conta de observarmos a realidade. A realidade existe: a gente vive em sociedade, constrói pactos sociais, vivencia experiências. Mas a forma pela qual a descrevemos, valorizamos e entendemos as experiências nunca irá ser neutra, ela passa pelo crivo social que molda nosso olhar e nossa forma de organizar a linguagem. É aqui, nessa bifurcação e intersecção entre debates que podemos enriquecer nossa abordagem e nossas técnicas de pesquisa para a construção audiovisual”. Para ler o artigo na íntegra, acesse: encurtador.com.br/eGHNV

Texto: Fernanda Peixe / Notícias do Bem
Foto: Milena Aurea / Divulgação

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