Conheça mais sobre o empoderamento feminino no período gestacional

PARTO HUMANIZADO

Mães compartilham experiências, alegrias, medos, desafios, afeto e carinho

Especial Dia das Mães – A equipe do Notícias do Bem foi convidada para acompanhar um encontro de um grupo de apoio de gestantes em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, que optaram em trazer ao mundo seus bebês por meio do parto humanizado. A reunião é realizada, mensalmente, pela ginecologista e obstetra Ana Paula Pina Borges e conta ainda com a participação de familiares das gestantes, de pacientes que já tiveram seus bebês, profissionais da saúde, doulas, além de convidados como poetas que contribuem de forma lúdica e interativa com as futuras mamães.

GrupoQuando chegamos à reunião, que é realizada na casa da médica e já tinha se iniciado, o que mais nos chamou a atenção foi a energia e a vivacidade do local. O cenário não poderia ser mais “humanizado”, crianças brincando em volta da roda formada pelos participantes, uma mãe amamentando no peito sua filha, gestantes com suas lindas barrigas “pontudas” – mostrando que logo uma nova vida vai chegar -, mulheres em seu ritmo embalando seus pequenos que já chegaram há pouco ao mundo, sem contar nos olhares ternos e atentos de todos quando alguém dividia no grupo uma experiência vivida. Uma verdadeira atmosfera de luz.

Sem papas na língua, as participantes falavam sobre temas como a dor na hora e depois do parto, o medo da laceração, a importância da quarentena, a falta de libido nos primeiros meses em que nasce o bebê, a importância da participação do pai em todo o processo, o primeiro banho do recém-nascido e o amor que é sentido quando se tem a criança no colo pela primeira vez, entre outros assuntos.

OA participação do grupo de apoio faz parte do processo de humanização do parto. Diferente do que muitos possam imaginar, o parto humanizado não se limita apenas ao momento do nascimento do bebê com a escolha do ‘parto normal’, mas sim a todo processo da gestação, nascimento e do pós-parto. “A gestante recebe toda a preparação física, mental, espiritual e familiar, damos todo o apoio – médico, doula e todos os envolvidos no processo. Os encontros fazem parte dessa preparação, com a troca de experiências com as outras mães, o que dá ainda mais segurança e tranquilidade para a gestante”, comenta a obstetra que há um ano e meio começou a realizar os partos humanizados em São José do Rio Preto e nesse período, por meio desse método, já trouxe ao mundo cerca de 30 crianças.

A humanização

*“A humanização proposta pela ‘humanização do parto’ entende a gestação e o parto como eventos fisiológicos perfeitos (onde apenas 15 a 20% das gestantes apresentam adoecimento neste período necessitando cuidados especiais), cabendo à obstetrícia apenas acompanhar o processo e não interferir buscando “aperfeiçoá-lo.”

MarcelaA tradutora e revisora Marcela Araújo, 33 anos, mãe de Miguel (3 anos) e gestante de 38 semanas de seu segundo filho, conta que na primeira gestação estava morando no Canadá e que lá conseguiu fazer um parto humanizado que foi realizado em um hospital. “Na primeira gestação, participei de um curso preparatório, onde tirei todas as minhas dúvidas, o que me ajudou muito na hora do parto que foi rápido, demorou 5 horas e meia. A gente se sente muito cansada, mas passa logo quando o nenê chega e o prazer de estar com o seu filho é maior que tudo.”, relata a tradutora.

De volta ao Brasil, Marcela encontrou nas reuniões do grupo de apoio uma maneira de compartilhar sua experiência e se preparar para a chegada de seu segundo filho. “É bom saber que você não está sozinha, que tem outras mulheres como você, passando pelo mesmo processo. Aqui é como uma comunidade”, diz.

LuisaA Relações Públicas e aprendiz de doula na tradição Luisa Aidar de Menezes, 33 anos, é mãe de Flora (11 meses). Luisa também escolheu ter a sua filha por meio do parto humanizado. “Essa escolha tem a ver muito com a mãe ser protagonista daquele momento, dela viver plenamente a gestação. Isso eleva nossa autoestima e nosso empoderamento como mulheres. Eu estava muito presente no meu parto”. Luisa relata que depois de 15 horas de trabalho de parto foi preciso ser feita a intervenção cirúrgica. “No meu caso, ao final a cesárea foi necessária”, complementa mãe de Flora.

O parto

AnaSobre o trabalho de parto humanizado, a obstetra Ana Paula explica que ele começa em casa, quando a mulher sente as contrações ela é acompanhada pela doula e uma enfermeira obstetra. A doula dá todo o suporte psicológico, espiritual e emocional, ajudando no processo, por exemplo, por meio de terapias não invasivas de controle da dor, fazendo massagens, conversando, entre outras ações. A enfermeira obstetra irá acompanhar para ver a dilatação e orientar na hora de ir ao Hospital. “A gestante só vai para o hospital próximo do momento de parir. Ela fica no conforto de sua casa, com todo o suporte da doula e da enfermeira obstetra, diminuindo muito o período de internação.”, comenta a Ana Paula.

Na chegada ao hospital, a obstetra responsável, junto com a equipe médica, acompanha todo o parto, até o nascimento.  A humanização, ainda prevê o acompanhamento da doula no pós-parto, normalmente, até o primeiro ano do bebê. A doula pós-parto ajuda a mulher nesses primeiros momentos como mãe, dando apoio, principalmente, emocional.

*“Humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto, é respeitar esta fisiologia, e apenas acompanhá-la, é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais, psíquicos e emocionais da mulher e de sua família, é devolver o protagonismo do parto à mulher, Humanizar é garantir-lhe o direito de conhecimento e escolha.”

Durante a conversa com as gestantes, o que nós do Notícias do Bem percebemos foi a segurança e a tranquilidade de todas as mães e as futuras mães adquirida por meio do conhecimento passado pela equipe médica, no contato com a doula, com as outras mães e por todo apoio físico e emocional no período gestacional e no pós-parto. Para quem quiser saber mais sobre o parto humanizado pode acompanhar o trabalho realizado pela obstetra Ana Paula Pina Borges em suas redes sociais.

Saiba mais:

– De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) o Brasil é líder em cesáreas, mais de 55% do total de parto são cesáreas, sendo que o indicado é de 10 a 15% pela OMS.

– No estado de São Paulo foi sancionada a Lei Estadual 15.759/2015 que assegura o direito ao parto humanizado nos estabelecimentos públicos de saúde do Estado. Para saber mais, como funciona, se informe nos postos de saúde de sua cidade.

Reportagem: Thais Alves / Notícias do Bem

Fotos: Ricardo Boni / Notícias do Bem

* Fonte de pesquisa: Sites Instituto Nascer e  Despertar do Parto

02/05/2016

02/05/2016 09:01

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