É preciso ouvir o silêncio da natureza

DO URBANO PARA A NATUREZA

Sítio Santo Reis é um dos paraísos ambientais do interior paulista

Com aproximadamente 9 alqueires, o Sítio Santo Reis está localizado no município de Murutinga do Sul, há 15 quilômetros de Andradina. O acesso é quase totalmente asfaltado e os visitantes andam menos de 2 km de terra até sua entrada. Impressiona a grande quantidade de pássaros, verde e centenas de peixes, em sua maioria carpas ornamentais, em um lago artificial que cerca a pequena sede do sítio.

Ao lado da sede o atelier do artista plástico Fábio Francé, neto do saudoso casal Severino Novo e Anésia Firigato, que por décadas conseguiram preservar a natureza do local das pessoas.

“Meu avô era austero e em seu sistema, controlava tudo no sítio. Até mesmo os netos não tinham licença para andar pela mata ou até passear de cavalo, então eu mesmo não tinha muito acesso ao sítio na infância”, explica.

Da avó, ele lembra da figura maternal a entreter os netos. Era o tipo de pessoa que estava sempre com o fogão aceso com o tacho em cima a preparar delícias como a pamonha. O casal, de ascendência italiana, se dedicou a cultura do café e pequena criação de gado leiteiro por décadas, diversificando no final.

“Meu avô era devoto de Santo Reis e em promessa pela vida de minha avó que adoeceu, incluiu o nome Reis em dois de seus oito filhos, todos criados neste sítio”, lembra.

A redescoberta

Fábio Francé redescobriu seus laços com suas raízes no campo quando estudava na Unesp, cursando Artes Plásticas no campus de Bauru. Na busca por materiais alternativos para utilizar em seus trabalhos, ele passou a explorar a propriedade em suas visitas. Percorrendo os leitos dos rios ele descobriu muitas raízes submersas da antiga mata ciliar. Aroeiras, ipês e louros passaram a integrar a matéria prima do seu trabalho. Atualmente a exposição “Raizes do Brasil” percorre vários municípios paulistas.

“Nas andanças descobri o que parece ser os restos de um grande desmatamento. Raízes por todos os cantos e até imensas toras de aroeiras preservadas pela natureza. Algumas eu já busquei e transformei. Outras eu sei exatamente onde estão e irei busca-las no momento certo”, afirma.

A propriedade oferece muitos atrativos naturais, como um fragmento da Mata Atlântica, nascentes do Córrego da Onça, o encontro das águas com o Córrego Maravilha, uma grande observação de pássaros e, para os que tem sorte, deparar com tamanduás bandeira e mirim, tatús e até mesmo ariranhas.

Desde que a família resolveu implantar esse projeto de visitação, mais de 10 mil mudas de árvores nativas foram plantadas na mata. A natureza também fez a sua parte e várias árvores surgiram na mata sem serem semeadas, até mesmo as aroeiras nativas voltaram a brotar. Os lambaris e outros pequenos peixes também voltaram a povoar os córregos massivamente e atrás dessa explosão de vida vieram as aves e outros animais.

Uma represa e um lago destinados à piscicultura completam as atrações. No lago, as crianças podem passar momentos agradáveis com um pesque e solte de pequenas espécies como o cará, piau, lambari e tilápias.

Educação Ambiental

O Santo Reis recebe visitas monitoradas à nascente modelo, registrada no Comitê da Bacia Hidrográfica do Baixo Tietê, de crianças a estudantes universitários. O local também está aberto a atividade de Educação Ambiental para alunos de todas as series. Para os menores, entrar na mata do “Santo Reis” é imergir num universo encantado numa experiência de teatro interativo. Logo no começo da trilha, os alunos encontram um índio. Depois de terem a cara pintada, eles são convidados a participar de uma aventura. O índio dá tarefas como plantar uma árvore, se pintar de lama ou procurar um tesouro escondido na mata.

As visitações são programadas sempre de acordo com a grade curricular das escolas e o objetivo é mostrar aos participantes o ciclo da água, além de fazê-los refletir sobre a importância da conservação das nascentes e da mata ciliar, assim como as maneiras de contribuir, coletiva ou individualmente, para a conservação dos recursos hídricos.

Fora a parte curricular, a experiência de estar imerso em um ambiente natural ajuda a formar valores em uma sociedade cada vez mais preocupada com o futuro da humanidade no planeta. “Elas abraçam as árvores, ouvem o silêncio da natureza e aprendem com ela. Assim desenvolvem uma ligação com o ambiente e passam a entender um pouco mais dessa ligação”, diz.

O local também recebe grupos para acampamento realizado no meio da mata para experiência de contato com a natureza.

Espiritualista

A missão de Fábio com o Sítio Santo Reis vai além da arte e da educação. De aura espiritualista, o artista pretende transformar o local, não só um espaço para turismo rural, mas em um verdadeiro spa da natureza.

“Estamos nos preparando para o desenvolvimento de algumas terapias alternativas promovendo o contato com a natureza. Terapias anti estresse. Temos também potencial para o arvorismo. E por ser muito acessível, espero ajudar pessoas que queiram resgatar esse vínculo com a Terra”, explica.

Em sua filosofia, Fábio acredita na necessidade humana de mudar de atmosfera, a mudança de sintonia. “Na arte é assim, aprende quem faz e aprende quem contempla. E se o grande artista é Deus, talvez estejamos perdendo a chance de comtemplar sua obra e aprender com ela. Então é importante mudar a nossa atmosfera sonora, nossa atmosfera visual, enfim, contemplar. O ser humano é muito inquieto e é preciso ouvir o silêncio da Natureza”, finaliza.

Quem quiser conhecer o Sítio Santo Reis pode agendar uma visita através do fone (18)  98149-0895.

Colaboração: Hugo Leonardo – http://www.hojemais.com.br/

01/03/2016

01/03/2016 10:13

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *