Projeto ajuda a inserção no mercado de trabalho de refugiados no Brasil

ABRAÇO CULTURAL

Projeto ajuda a inserção de refugiados no mercado de trabalho no Brasil

Imagina de um dia para outro você ser obrigado a deixar tudo o que você conhece e o que sempre foi sua vida para trás. Sua casa, sua família, seus amigos, sua rotina, sua cidade, seu país… Sem outra saída, milhares de pessoas, em diversos lugares do mundo, fogem de sua terra Natal, muitas vezes zonas de conflitos ou destruídas por grandes catástrofes naturais, e buscam em outras nações a oportunidade de viverem dignamente.

Há três anos, essa foi a realidade vivida pelo congolês Alphonse Nyembo Wanyembo, de 29 anos, que fugindo da guerra e da perseguição política, deixou sua cidade na região do Lago Kivu, fronteira com Ruanda e Uganda, na África, palco de muitos conflitos pelas pedras preciosas e ouro, e encontrou no Brasil, mais precisamente na cidade de São Paulo, um lugar para reconstruir sua vida. Nós, do Notícias do Bem, tivemos a honra de entrevistar Wanyembo – que significa filho do rei.

Alphonse conta que no início a adaptação não foi fácil, principalmente em relação à língua. A língua oficial da República Democrática do Congo é o francês, mesmo sendo de origem latina, como o português, há muita diferença nas palavras e na pronúncia. “Muitos amigos brasileiros me ajudaram a aprender o português, me emprestando livros e me ensinando, e com isso comecei a me comunicar melhor”, explica.

AlphonseNo Congo, Alphonse estudou em uma universidade americana e foi lá que ele aprendeu inglês. Com o aprendizado intensivo, com os amigos brasileiros, em português, e o conhecimento em língua americana e francesa, o que era uma barreira se tornou uma oportunidade através do projeto Abraço Cultural – Curso com Refugiados, onde, hoje, ele é professor.

Com o objetivo de promover a troca de experiências, a geração de renda, a valorização pessoal e cultural e, ao mesmo tempo, possibilitar através do aprendizado de idiomas a quebra de barreiras e a vivência de aspectos culturais de outros países, o Abraço Cultural oferece cursos de francês, inglês, espanhol e árabe, ministrados por professores em situação de refúgio no Brasil como Alphonse. “É muito bom dar aula e mostrar para os nossos os alunos um pouco do nossa cultura e esse trabalho também me ajuda a pagar as contas da faculdade. Estou fazendo engenharia mecatrônica”, ele revela com orgulho.

Resgate cultural

Em sala de aula ou fora dela os professores conduzem os alunos por uma jornada de cultura-experiência por seus países de origem. Além das aulas formais, o aprendizado do idioma se dá por meio do compartilhamento das histórias de cada professor e elementos culturais de seus países de origem como músicas, filmes, culinária, arte, história, política e festas típicas. 

 A funcionária pública Nádia Aluz é uma das alunas do projeto. Ela está na turma do curso intensivo de árabe ministrado por um professor refugiado da Síria. De descendência síria, Nádia diz que sempre quis resgatar esse lado de sua origem. “O Abraço Cultural, além de oferecer cursos de qualidade a um preço acessível, traz uma oportunidade única de conhecer mais a realidade de países tão distantes do nosso. Com esse intercâmbio de conhecimento descobrimos a riqueza cultural desses povos, que é muito mais do que vimos nos noticiários”, explica.

Sobre o idioma árabe, Nádia comenta que não tem sido fácil aprender. “A língua árabe é muito difícil, afinal é outro tipo alfabeto e a pronuncia é muito diferente da nossa, mas o professor nos ajuda muito, corrigindo a maneira que falamos e ensinando cada letra do novo alfabeto”, complementa.

Desde seu início, em julho de 2015, o Abraço Cultural já reuniu 290 alunos, 50 voluntários, dando oportunidade de inserção no mercado brasileiro a 28 professores refugiados.  O projeto foi desenhado pela plataforma social Atados – Juntando Gente Boa e a associação Adus – Instituto de Reintegração do RefugiadoBrasil e tem hoje como parceiros também a SP Escola de Teatro e a Escola da Cidade. 

Atualmente, as aulas acontecem na sede da Adus, na Avenida São João, 311, 11º andar, no Centro de São Paulo e mais outras três unidades na capital paulista. A intenção é que ocurso seja replicável, podendo ser aplicado em outros estados e países. Para saber mais sobre as novas turmas,  previstas para começarem no final de fevereiro, e as unidades com vagas e cursos disponíveis, acesse o site do Abraço Cultural.

Reportagem: Thais Alves/Notícias do Bem

11/02/2016

11/02/2016 08:13

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