Zumbido, dificuldade para compreender conversas e necessidade de aumentar o volume da televisão ou do telefone podem ser sinais de alterações na audição. Embora muitas vezes sejam percebidos de forma gradual, esses sintomas merecem atenção e avaliação médica. Em novembro, a campanha Novembro Laranja reforça a importância da conscientização sobre a saúde auditiva, com destaque para o zumbido e outros incômodos relacionados à percepção dos sons.
O movimento busca ampliar o conhecimento da população sobre os sintomas, a investigação das possíveis causas e as alternativas de tratamento. Para o otorrinolaringologista Adriano Reis, da Otorrino Rio Preto, reconhecer as mudanças na audição e procurar orientação especializada são passos importantes para identificar o problema e definir a conduta adequada.
Segundo o médico, é comum que a pessoa não perceba imediatamente uma perda auditiva. “Muitas vezes, os primeiros sinais aparecem como dificuldade para entender conversas ou sensação de que as pessoas estão falando baixo. Quando existe também zumbido, é importante procurar avaliação para entender o que está acontecendo.”
Diagnóstico
O zumbido é caracterizado pela percepção de um som, como apito, chiado ou apito contínuo, sem que exista necessariamente uma fonte sonora externa. Ele pode estar associado a diferentes condições, incluindo alterações auditivas, e não deve ser tratado como uma doença isolada sem investigação.
A avaliação com um otorrinolaringologista permite investigar os sintomas e identificar possíveis causas. Conforme o caso, o médico pode solicitar exames como a audiometria, que avalia a capacidade de ouvir diferentes frequências e intensidades sonoras. “A partir dos resultados, é possível definir a abordagem mais adequada. O tratamento varia de acordo com a causa e o grau da alteração auditiva e pode envolver acompanhamento médico, recursos de reabilitação auditiva, aparelhos auditivos ou, em situações específicas, o implante coclear.”
Implante coclear
Aos 76 anos, o aposentado João Paulo Basso conviveu com problemas nos ouvidos desde o nascimento. Segundo ele, ainda na infância passou por três cirurgias, envolvendo ouvido, nariz e garganta. Ao longo da vida, enfrentou episódios frequentes de secreção nos ouvidos e, com o passar do tempo, a audição foi se deteriorando.
Na vida adulta, Basso procurou diferentes médicos, fez vários tratamentos e chegou a utilizar aparelhos auditivos convencionais. No entanto, a presença de secreção continuava sendo um problema e chegou a danificar um dos dispositivos.
Há cerca de três anos, passou a utilizar implantes cocleares após perder totalmente a audição. “Um dia dormi e acordei sem ouvir nada.” Foi neste momento que ele conheceu o otorrinolaringologista Adriano Reis, fez exames e depois um tratamento especializado para o seu caso. Após o tratamento, fez o implante de dispositivos nos dois lados e voltou a ouvir. Ele conta que consegue compreender melhor as conversas quando ambos estão funcionando, embora ainda encontre um pouco dificuldade em ambientes com muitas pessoas falando ao mesmo tempo.
Morador de Colina, Basso fala sobre a importância de procurar ajuda médica diante dos problemas auditivos. “Tem que procurar um especialista. Eu busquei orientação e voltei a ouvir, tenho qualidade de vida. Hoje, faço acompanhamento com o Dr. Adriano Reis. Imagino que muitas pessoas têm problemas auditivos e acham que não tem solução. Por isso, a importância de buscar orientação especializada.”
O implante coclear é um dispositivo eletrônico que contorna a parte comprometida do ouvido interno e estimula diretamente o nervo auditivo. O sistema conta com uma unidade externa, responsável por captar e processar os sons, e uma parte implantada cirurgicamente, que transmite os sinais elétricos por meio de eletrodos.
O recurso pode ser indicado para adultos, idosos e crianças com perda auditiva severa ou profunda, quando os aparelhos auditivos não oferecem benefício suficiente. A indicação depende de avaliação médica e de exames específicos.
Atenção aos sinais
Além do zumbido, a dificuldade para acompanhar conversas, a necessidade de aumentar frequentemente o volume de aparelhos eletrônicos e a sensação de ouvido tampado são sinais que merecem investigação, sobretudo quando persistentes. A perda auditiva pode ocorrer de forma progressiva, o que faz com que algumas pessoas demorem a perceber as mudanças.
Para Adriano Reis, a informação é uma ferramenta importante para estimular a busca por atendimento. “A campanha Novembro Laranja chama a atenção para a saúde auditiva. Por isso, alterações na audição não devem ser ignoradas ou tratadas por conta própria. A avaliação médica ajuda a esclarecer o diagnóstico e a identificar as opções disponíveis para cada caso.”
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