O Norte do Brasil marca presença na 62ª edição do Festival do Folclore de Olímpia (FEFOL) com grupos que levam ao palco a força da cultura amazônica e das tradições populares da região. Entre carimbós, batuques de tambor marajoara, danças de matriz indígena e cabocla e a suça de herança afrodescendente, a delegação nortista traz a Olímpia um recorte da pluralidade cultural de Pará, Roraima e Tocantins, e dois desses grupos sobem pela primeira vez ao palco olimpiense.
Criado em 1965 e realizado de forma ininterrupta desde então, o FEFOL é um dos maiores e mais longevos eventos de cultura popular do Brasil. Nesta edição, que acontece de 1º a 9 de agosto, com entrada gratuita, o festival reúne mais de 70 grupos de todas as regiões do país, sob o tema “Aquele Abraço” e celebrando o Jubileu de Alecrim. A cada ano, a cidade se transforma em vitrine das tradições brasileiras e o Norte ocupa esse palco com expressões que permanecem vivas em seus territórios de origem.
Pará
O Pará chega ao festival com dois grupos. De Belém, a Associação Cultural Sabor Marajoara retorna a Olímpia levando o carimbó e outras manifestações da cultura popular amazônica. Fundada em 1989 e reconhecida como Ponto de Cultura, a entidade desenvolve há mais de três décadas um trabalho de pesquisa, preservação e difusão das tradições paraenses, reunindo dança e música em apresentações que já percorreram festivais em diversos estados brasileiros.
Da Ilha de Marajó, o Grupo Cultural e Parafolclórico Eco Marajoara, de Soure, faz sua estreia no FEFOL. Criado em 1988 a partir de um projeto de educação ambiental ligado à Universidade Federal do Pará (UFPA), o grupo une dança, teatro e o batuque do tambor marajoara em espetáculos que valorizam as tradições ribeirinhas, a biodiversidade amazônica e a identidade cultural do povo marajoara. Ao longo de 37 anos de trajetória, já levou suas apresentações a festivais em diferentes regiões do país.
Roraima
De Roraima vem o Grupo Folclórico Tribo Waiká, que também estreia no festival. Criado em 2020 durante a pandemia, com apoio da Lei Aldir Blanc, o grupo tem o nome inspirado em uma das tribos ancestrais que habitavam a região do Rio Branco e nasceu inspirado no Festival das Tribos de Juruti, no Pará. Suas apresentações combinam dança, música e artes cênicas para valorizar as matrizes indígena e cabocla que formam a identidade cultural roraimense, resgatando mitos, personagens e ritmos tradicionais frequentemente ameaçados pelo esquecimento.
Tocantins
O Tocantins será representado pelo Grupo de Suça “Tia Benvinda”, de Natividade, município considerado o mais antigo do estado e tombado como Patrimônio Cultural Nacional. Criado em 2017 para preservar a suça, manifestação de herança afrodescendente ligada ao ciclo do ouro na região, o grupo surgiu a partir de um projeto escolar e transformou-se em um importante coletivo cultural. Hoje reúne cerca de 50 jovens sob coordenação da professora Verônica Tavares e apoio de mestres populares. O nome homenageia Tia Benvinda, que participou do início da transmissão dessa tradição às novas gerações, na década de 1990. A suça é marcada pela alegria, pelas cantorias, pela viola, pelos tambores e pela forte presença nas festas populares e folias do catolicismo popular tocantinense.
Juntos, os grupos da Região Norte levam ao FEFOL manifestações que expressam a riqueza cultural da Amazônia brasileira. Entre ritmos, narrativas, matrizes indígenas e caboclas, influências afrodescendentes e saberes transmitidos entre gerações, as apresentações revelam a diversidade de povos e territórios que ajudam a formar a identidade cultural do país.
“A cada edição, o FEFOL reafirma seu compromisso com a preservação e valorização da cultura popular. É um trabalho construído com responsabilidade e respeito à diversidade que o festival representa”, afirma Priscila Foresti, secretária de Cultura e Defesa do Folclore de Olímpia.
“Ver a Amazônia representada no nosso palco, com a estreia de Roraima, mostra o quanto o FEFOL aproxima o Brasil. Olímpia tem orgulho de abrir as portas para tradições que vêm de tão longe e que encontram aqui o reconhecimento que merecem”, destaca o prefeito Geninho Zuliani.
62º Festival do Folclore de Olímpia (FEFOL)
Datas: 1º a 9 de agosto de 2026
Local: Recinto do Folclore “Professor José Sant’anna” — Av. Menina Moça, 800 — Olímpia/SP
Entrada gratuita
Canais oficiais: linktr.ee/folcloreolimpia
Foto: Divulgação


